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E-ntrevista@Rui.Pinto.Gonçalves
As CidadesFundador do atelier RRJ Arquitectura e Engenharia, Rui Pinto Gonçalves brinda-nos com 18 anos de intensa procura em melhor servir as cidades, os seus habitantes e o que os envolve.
Detentor de extremo bom senso, aprecia o belo e dele retira inspiração para as suas obras – exemplo disso são também os seus apaixonados registos fotográficos.
Utiliza, sempre que possível, novos materiais, tanto construtivos como para acabamentos e pormenores, conferindo aos seus espaços “aquele” toque especial e sofisticado.
Fomos falar com ele para perceber melhor o que pensa sobre a cidade, em especial a de Lisboa, onde tem deixado o seu cunho.
Fala-se em "Requalificar as Zonas Históricas das Cidades".
Como entende que deveria ser desencadeado este processo? Por onde começar?
Para uma resposta rápida, há 2 aspectos essenciais a ter em conta: o que se refere aos aspectos meramente estéticos e patrimoniais e os de funcionamento e de actividades.
Tudo o que tem haver com obras e licenciamentos é extremamente penoso para habitantes e promotores. Deveria criar-se políticas menos rígidas no que se refere às alterações de interiores e mais cuidadas no que se refere às alterações exteriores.
Ex: é completamente absurdo continuar-se a deixar utilizar caixilharia de alumínio. Deveria haver um maior cuidado na imagem a recuperar ou a preservar. Uma das razões da “morte” dos bairros históricos é a impossibilidade de alterar as construções de modo a conferir o conforto necessário exigido nos dias de hoje.
É difícil investir-se nos bairros históricos, quando o metro quadrado é elevado e depois não é permitido rentabilizá-lo ao criar habitações com qualidade. Veja-se o caso da Baixa, em que a própria Câmara congelou dois artigos do PDM para possibilitar, em alguns edifícios, essas alterações profundas (interiores), de modo a dotá-los com características de um produto apetecível para uma nova e exigente clientela. Um bairro só pode viver se for habitado e para isso é preciso criar politicas que convidem as pessoas a habita-lo.
Deveriam ser criados apoios às actividades culturais, como pequenas feiras e actividades culturais de rua, etc., de modo a criar uma clientela nova e de qualidade nestes bairros, e não deixar que a menos desejável clientela da noite tome posse de todos estes lugares. A segurança é outro aspecto a ter em conta, para que estes locais sejam apetecíveis.
Sabemos que o Arqtº realizou inúmeros projectos em zonas carismáticas da cidade de Lisboa. Como aborda esses edifícios?
Com muito respeito pelo existente e através de uma abordagem criteriosa sobre o modo de habitar dos dias e hoje. Ou seja, procurando criar um casamento perfeito entre o antigo e moderno.
O seu atelier é um furor. Pode adiantar-nos o porquê?
Pelo profissionalismo que pomos em cada projecto. Como se cada um fosse o único que tivéssemos. E depois, é feita a criação de meios para que cada funcionário esteja motivado para o trabalho que desempenha. Gosto muito do que faço e faço com muito amor. Desde os 3 anos que o lego era o meu brinquedo preferido.
Conte-nos um segredo. Qual é a sua relação com a arte de fotografar?
Vejo a fotografia como uma arte de registo de um facto ou de uma história, como escrever ou desenhar, nada mais. Tenho sorte no que sai.













